Síndrome metabólica, obesidade e diabetes: um elo comum?

Síndrome metabólica, obesidade e diabetes: um elo comum?

Por Dr Carlos Bastian

Artigo

O que as três condições têm em comum? Em muitas situações, podemos considerar que se trata da mesma doença, em estágios diferentes de evolução.

O termo síndrome metabólica (SM) descreve um conjunto de fatores de risco metabólico que se manifestam num indivíduo e aumentam as chances de desenvolver doenças cardíacas, derrames, diabetes e até mesmo câncer.
A SM tem como base à resistência à ação da insulina. Isto é: as células e tecidos se tornaram resistentes à insulina, fazendo com que este hormônio não aja de forma adequada, obrigando o pâncreas a produzir mais insulina. Isto acaba gerando um estado de hiperinsulinemia sustentada.

Atualmente, o diagnostico de SM é feito baseado em critérios clinico- laboratoriais:

1. Obesidade visceral (estimado pela circunferência abdominal, > 102 cm para homens e > 88 cm para mulheres);

2. HDL baixo (< 40 mg/dl para homens e < 50 mg/dl para mulheres);

3. TG > 150 mg/dl;

4. Hipertensão arterial sistêmica;

5. Glicemia de jejum > 100 mg/dl

Se você tem pelo menos três destes cinco critérios, você tem diagnóstico de síndrome metabólica. Isto significa que o seu pâncreas esta produzindo uma quantidade significativamente maior de insulina para manter os níveis de glicose dentro da normalidade.

Existem ainda algumas outras anormalidades que não fazem parte dos critérios clássicos para diagnóstico da SM, mas que são muito sugestivos de resistência à insulina. São eles:

1. Presença de esteatose hepática (“gordura no fígado”);

2. Presença de acantose nigricans (manchas escurecidas em áreas de dobras, com pescoço e axilas);

3. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos;

4. Presença de ácido úrico elevado ou crises de gota.

A obesidade é uma condição que afeta atualmente cerca de 800 milhões de indivíduos no mundo. Desde 1975, a prevalência global da obesidade quase triplicou. No Brasil ela cresceu mais que 70% da última década, sendo que hoje um em cada 5 brasileiros adulto é obeso.

Hoje sabemos que a obesidade é uma condição pró-inflamatória e que esta associada a inúmeras outras condições: hipertensão arterial sistêmica, asma, diabetes mellitus, câncer, doença de Alzheimer, infartos e derrames. Ou seja: as principais causas de morte estão associadas a excesso de peso. Durante muitas décadas temos tratado a obesidade como um problema de desequilíbrio energético entre calorias consumidas e calorias gastas. Porém, nos últimos anos a teoria hormonal da obesidade vem ganhando força. E qual o principal hormônio envolvido com esta condição? Insulina!

A prevalência global de diabetes atingiu 9,3% (uma em cada onze pessoas no mundo tem diabetes!), com mais da metade (50,1%) dos casos adultos não diagnosticados. Quando consideramos pessoas acima de 65 anos, um em cada cinco indivíduos tem diabetes! De 1980 para cá, o numero de diabéticos quadruplicou em todo o mundo! Em apenas uma geração, o diabetes deixou de ser uma raridade para se tornar uma epidemia! E as estimativas é que estes números aumentem ainda mais nas próximas décadas. No ano de 2019, o diabetes foi responsável por cerca de 760 bilhões de gastos com saúde (isto corresponde a 10% do gasto mundial com saúde!).

E o que caracteriza o diabetes?

É a elevação crônica da glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. E por que isto ocorre nos pacientes diabéticos tipo 2? Basicamente, porque a insulina não consegue exercer a sua função de estimular a captação de glicose pelas células, pois estas se tornaram resistentes à sua ação.

Portanto, o que as três condições têm em comum? A hiperinsulinemia sustentada e o desenvolvimento de resistência à insulina. Em muitas situações, podemos considerar que se trata da mesma doença, em estágios diferentes de evolução. Assim, não nos surpreende que podemos tratar as três condições com uma abordagem similar. A maioria dos profissionais de saúde considera o diabetes uma doença crônica e progressiva. Infelizmente, ela tem esse desfecho da maneira que é abordada atualmente. Porém, isto não é verdade: na maior parte das vezes a reversão é possível!

Por

Dr. Carlos Bastian

Médico e Cirurgião do Aparelho Digestivo


Carlos Bastian é cirurgião do aparelho digestivo, chefe de serviço de Endoscopia do Hospital Celso Ramos e também ...

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