Crianças, alimentação e a importância do consumo de carne

Crianças, alimentação e a importância do consumo de carne

Artigo

Por Dra Teresinha Souto (Pediatra) *

O período que vai da concepção até os dois anos de vida é chamado de período dos 1.000 dias, e tem sido foco de atenção de obstetras e pediatras em todo o mundo. É um período crítico para o crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso central. Para se ter uma ideia, cerca de 85% do peso do cérebro é atingido nesses primeiros dois anos, além da formação de inúmeras sinapses entre os neurônios. Tendo isso em vista, uma alimentação adequada, além da correta estimulação da criança, é de suma importância, principalmente nessa fase.

Quando falamos em alimentação infantil costumamos salientar a importância de uma alimentação saudável iniciando com a alimentação da gestante, passando para a amamentação exclusiva ao seio materno nos primeiros 6 meses, realizando uma adequada introdução alimentar a partir dos 6 meses e mantendo o aleitamento materno até dois anos ou mais.

Uma boa orientação alimentar pode prevenir desnutrição, obesidade e carências nutricionais como a anemia por deficiência de ferro – uma das carências nutricionais mais frequentes no mundo e a mais comum de todas as anemias na infância.

Nessa faixa etária, assim como na adolescência, existe uma alta velocidade de crescimento, mas outros fatores como poucas reservas ao nascimento (como nos prematuros), alta incidência de doenças, perdas sanguíneas crônicas e dietas pobres em ferro de boa biodisponibilidade também são causa de anemia.

Na natureza, o ferro se apresenta de duas maneiras: a forma heme, de elevada biodisponibilidade, presente nas carnes e vísceras, e a forma não heme, encontrada nos alimentos de origem vegetal. Na dieta, a absorção do ferro não heme é dificultada na presença de fitatos, oxalatos, taninos e cálcio, e é facilitada na presença de carnes e vitamina C.

A instalação da chamada anemia ferropriva é gradual e, muito antes da palidez das mucosas, podem ocorrer sinais e sintomas inespecíficos, como falta de apetite, cansaço, irritabilidade e mais chance de infecções. Atraso de crescimento só irá ocorrer muito tempo depois, porém existe associação com atraso cognitivo. Na investigação laboratorial, exames alterados do metabolismo do ferro muitas vezes precedem um diagnóstico de anemia.

Nos últimos anos, com a popularização de dietas restritivas como a dieta vegetariana e, principalmente, a dieta vegana, cresce ainda mais a preocupação dos pediatras no sentido de evitar riscos nutricionais já inerentes à faixa etária infantil, sendo necessárias, além de um acompanhamento nutricional, a suplementação de zinco, ferro e vitamina B12 (micronutrientes abundantes naturalmente nas carnes e vísceras); e até mesmo cálcio e vitamina D em algumas situações.

Recentemente, foi lançado pelo Greenpeace um vídeo partindo de uma premissa válida (proteger a Amazônia) e demonizando o consumo de carne. Entendo que, como pediatra, tenho a obrigação de alertar sobre esse tipo de propaganda assustadora e de caráter ideológico, pois é dirigido especificamente às crianças, que se sentirão culpados pelo extermínio da Amazônia cada vez que ingerirem carne.

Parafraseando o meu irmão e também médico Dr José Carlos Souto, “o desmatamento tem que ser combatido: não importa se os grãos são para o gado ou se para o consumo humano! A esmagadora maioria do gado brasileiro come pasto e não polui o meio ambiente, pois faz parte de um ciclo de liberação e reaproveitamento dos gases para o crescimento desse pasto. A monocultura de grãos sim, com todos os seus efeitos deletérios, como a poluição atmosférica e aquífera pelo uso de fertilizantes derivados de petróleo, além da destruição de toda uma gama de animais que pertenciam àquele ecossistema. Cabe a nós batalharmos pela exigência de selos de boas práticas como a criação de animais soltos e o incentivo a uma agricultura regenerativa, que integra os animais à lavoura, aumentando o rendimento de ambos e promovendo o bem-estar animal”.
 

E, para concluir, uma frase, também do Dr Souto, que resume o que vivemos hoje, para refletirmos e cuidarmos das próximas gerações: “estamos criando uma geração de crianças malnutridas, obesas e desinformadas, que não sabem que muito mais animais morrem para fazer o seu sucrilhos do que o seu bife, e que depois serão obesas e diabéticas – e, assim, poderão ser tratadas pela indústria farmacêutica”.

* A médica
Teresinha Souto é Pediatra, defensora da comida de verdade, com experiência em Low Carb e Mestra em Nutrologia infantil pela UNIFESP.

Imagem: freepik.com

Por

Brasil Low Carb


www.brasillowcarb.com.br

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